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A MULHER ADOLESCENTE
As indagações "quem sou eu?" e "o que está acontecendo comigo?" são comuns a mulheres adolescentes. Atualmente, quais os fatores que serviriam para marcar a passagem da menina para o mundo adulto? A menstruação, talvez? Ou a primeira relação sexual? Abandonar a escola e assumir as tarefas de casa tem sido uma realidade para muitas. Para outras, esta realidade é ter coisas como a chave de casa, viajar sozinha, passar no vestibular, ingressar no mercado de trabalho ou formar-se. Ou mesmo, quem sabe, é casar, ter filhos ou assumir a chefia da família? E a menina de rua? Como é feito seu trânsito entre a infância e a vida adulta? É difícil responder. Do ponto de vista social, esses fatores não são diluídos como se diferenciam de acordo com a classe social da adolescente e das vivências possíveis dentro de cada segmento da classe.
A adolescente vai se descobrindo mulher através dos olhos dos outros.
Na rua, ouve galanteios dos homens, percebe os olhares de admiração e interesse. Em casa, a forma de tratamento vai mudando. Torna-se objeto de preocupação e vigilância para a família. Passa horas em frente ao espelho, tentando descobrir um toque pessoal. Arruma e desarruma os cabelos, pinta-se, às vezes até exageradamente, procurando encontrar sua nova identidade, ser mulher.
Embora os papeis sexuais sejam socialmente definidos desde a infância, é na adolescência que a marca da distinção entre os dois sexos se faz sentir com maior força.
Para os rapazes, permissões e incentivos; para as garotas, proibições, restrições, culpas e cobranças. A mulher adolescente vive num intenso conflito entre o querer e o não poder iniciar a sua atividade sexual. É refreada e reprimida pela família quando começa a namorar. É pressionada pelo grupo de amigos por ainda ser virgem. O desenvolvimento da sexualidade é um dos pontos mais misteriosos para os adolescentes, dentre os muitos a serem desvendados. A mídia, conhecedora das características dessa fase da vida, vem estimulando condutas comportamentais que privilegiam a descoberta precoce da sexualidade. Já as brincadeiras e os jogos sexuais, que poderiam significar tão-somente um lado de autoconhecimento, são reprimidos. A masturbação, pela sociedade considerada normal para os rapazes, é vista como extremamente preocupante se observada nas meninas e é vivida com sentimentos de culpa, que podem comprometer a vida sexual da mulher adulta. Poucas adolescentes dirão "me tocar foi a forma que encontrei para o prazer", embora uma boa parcela faça exatamente isso.
Revistas femininas de grande circulação, programas de rádio e de televisão estão cheios de receitas para viver o prazer, mas todos na linha múltiplos orgasmos. Pouco se fala sobre o prazer do encontro, do olho no olho, do frio na barriga, da vivência da relação, do sentir o outro.O prazer de estar indo bem nos estudos, de receber elogios em casa, na rua e na escola, de sentir-se valorizada intelectualmente é pouco estimulado nas mulheres. O prazer de sentir o corpo voar no esporte, no teatro, na dança; ou prazer das viagens imaginárias, das viagens literárias ou de sentir-se inteira como um ser socialmente participante - esses prazeres não são citados.
Para ambos os sexos, o processo de crescer, independentizar-se, assumir novos papéis, tornar-se homem ou mulher, também será mais ou menos facilitado de acordo com a carga dos estereótipos sexistas presentes no ambiente familiar.
Nascemos com anatomia tanto do sexo feminino quanto do masculino, porém se aprende a ser feminino ou masculino no processo de socialização. "Menino não chora; menina tem que ser obediente". "A mulher deve ser virgem; o homem, muito experiente nas práticas sexuais". A diferença cria conflitos, assinala a valorização do homem e reafirma a desvalorização da mulher.
A FAMÍLIA TEM SIDO O MELHOR AGENTE DE TRANSMISSÃO DO SEXISMO.
Desde pequena, através da observação e convivência, a criança absorve atitudes e comportamentos que vão definindo valores e papéis sexuais - mitos como o da superioridade masculina, de que a mulher é o sexo frágil, de que é cidadã de segunda classe, de que a ela cabe a reprodução da espécie, de que a desigualdade é natural, de que ela deve ser complacente, servir, seduzir e estimular o homem, ser dócil, abnegada, símbolo sexual etc, etc, etc. O culto dos estereótipos, como festejar o nascimento de meninos com longas comemorações - "nasceu menino-homem" -, e a atmosfera do silêncio, que cerca o nascimento de meninas - "na próxima vez a gente acerta" - são práticas discriminatórias que procuram culpar a mulher até pelo sexo dos seus filhos. Poucas pessoas sabem que o cromossomo Y, que define o sexo masculino, é trazido apenas pelo espermatozóide.
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